Evidência científica – parte 3 – Tipos de desfecho

Evidência científica – parte 3 – Tipos de desfecho

O que importa para o seu paciente?

Seu paciente não se importa com exames laboratoriais.

Seu paciente não se importa com carga viral diminuindo.

NÃO?
NÃO?
NÃO?
NÃO?

A menos que…

Exista correlação com desfechos clínicos.

O que isso significa?

Seu paciente, no fim das contas, se interessa em morrer menos, ter menos dor, não precisar de uma máquina para respirar, ter qualidade de vida, ter tempo de qualidade com aqueles que ama.

Estes são desfechos clínicos.

Desfechos que não têm essas características são chamados de substitutos.

Não quero dar a entender que eles são ruins. Alguns são ótimos, na verdade.

Mas os ótimos são aqueles que se correlacionam com os desfechos clínicos.

Você deve demonstrar que, ao agir no desfecho substituto, causa um impacto, também, no desfecho clínico.

Por exemplo: hemoglobina glicada em diabetes

 

 

Você agiu no desfecho substituto (hemoglobina glicada) e mostrou que, ao fazer isso, agiu, também, no desfecho clínico.

Portanto, lembre-se: os desfechos que você deve valorizar são aqueles que importam aos seus pacientes!

Imagine-se doente: o que você quer evitar?

Aproveite o momento para fazer um exercício de empatia

Um outro cuidado que temos que ter é com desfechos compostos.

Por exemplo, imagine um ensaio clínico que testou uma combinação de medicações para tratar uma doença viral aguda

O desfecho do trabalho é um composto de:

  • ventilação mecânica
  • mortalidade por pneumonia
  • internação hospitalar

Qualquer um dos três componentes que acontecer, conta como um desfecho

Essa estratégia é importante para tentarmos aumentar a probabilidade de desfechos acontecerem e, portanto, deixar o trabalho mais factível (depender de um número de participantes menor)

Acontece que…

Os três componentes do desfecho composto são igualmente importantes?

Se você se colocar no lugar do doente, certamente prefere não precisar ser internado.

Mas é um desfecho tão importante quanto os outros dois?

Não, certo?

Frequentemente nos deparamos com desfechos compostos que incluem ao menos um que tem menos importância clínica. Muitas vezes acaba sendo o desfecho que acontece mais e que, portanto, tem chance de “arrastar” o resultado.

Além disso, alguns desfechos são influenciáveis por quem está participando da pesquisa.

Lembram-se da importância do cegamento?

Imagine um trabalho cujo desfecho seja internação hospitalar.

Vocês concordam que, se o médico não estiver cego, pode, mesmo que subconscientemente, internar ou não o paciente de forma enviesada?

Cuidado com este tipo de desfecho que é modulado pelo médico

Na próxima postagem, abordaremos como avaliar a magnitude do efeito de um tratamento.

Até lá!

PS: deu para entender? Você sentiu falta de alguma informação? Comente aqui ou me mande uma mensagem por onde preferir.

Por FERNANDO SALVETTI VALENTE
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